A Silly Season na aldeia e o manjar dos deuses

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Com a tarde arruinada e o mundo a derreter lá fora, resta-te um mergulho no rio? Esquece! No aberrante mês de Agosto, não tens como ir a banhos, está tudo encavalitado em cima uns dos outros, deitados em cobertores com um garrafão de vinho ao lado, com dez criacinhas a berrar e a praguejar, uma avó com os pés para a cova abandonada ao sol e os pais a tratarem já de fazer o próximo rebento, mesmo ali, entre o presunto e o queijo.

Casa assombrada, malas à porta!

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Bom… Digamos que a primeira impressão da casa da tia-avó me deixou em estado de choque. A segunda? Nem queiras saber. Simplesmente aterradora. Quando meto a chave à porta vejo uma escadaria de mármore enfeitada com jarras pavorosas de flores artificiais, carcomidas pelo tempo. Mais à frente dou de caras com a sala. Um cubículo mínimo, com uma mesa redonda coberta por um naperon do século passado, dois cadeirões de napa e mil e uma fotografias a preto de branco de gente morta. A tia-avó tinha pendurado toda uma árvore genológica na parede!

Compaixão ou sem paixão

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As galinhas têm sentimentos. Sentem empatia e antipatia, odeiam ser isoladas, têm comportamento de luto quando outra galinha morre e até podem sofrer de depressão. E sonham!!!! Sobre o quê? Ninguém sabe! Mas posso adivinhar; voar como uma águia, correr pelo o bosque em liberdade ou sonhar com uma bela fatia de melão fresca! As galinhas tal como nós, têm critérios que as fazem sentir atraídas por um galo ou não. E não são assim tão diferentes dos nossos.

Sem capota… Claro!

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Quando contei ao Pedro que ia comprar o MEU CARRO, contorceu-se todo. Segundo ele é do tamanho uma ervilha, tem uma bagageira onde só cabe a bolsa da maquilhagem e um motor com a potência de uma carroça. Deixei-o falar, falar, falar… Depois dele gastar o latim todo, falei eu: “Querido, não estas bem a ver… O carro é bestial! Cabe em todo o lado e dá perfeitamente para fazer a minha vida. Além do mais, gasta pouco e não anda muito. É seguro para os miúdos e ideal para quem está a começar. Quando formos de viagem, como é óooobvio… Levamos a tua carrinha girííííssima, suuuuper confortável, que anda imeeeenso e tem uma bagageira enoooorme onde cabe tudo, tudo, tudo!”

A nossa carrinha não é velha, é Vintage!

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A manete das mudanças é quase da altura de um pau de vassoura, o volante, do mesmo tamanho do do Titanic. Mas o mais espantoso de tudo são as chaves da carrinha, tem uma para cada porta, de todos os tamanhos e feitios, estás a ver o que significa não estás? Que é inviolável! Qualquer ladrão que queira assalta-la vai ter um ataque de nervos! E depois tem uma característica única, quando se tira a chave da ignição
continua a trabalhar como se estivesse mal assombrada, já imaginaste a adrenalina?

Deixem-me dormir… Que diabo!

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Há duas ou três noite, mandei as criaturas irem fazer a festa debaixo da janela da personagem mais odiada da rua. Uma velha, com a cara chapada da Bruxa da Casinha de Chocolate, que passa a vida a cuscar tudo quanto mexe. O diacho da mulher não sai do parapeito o dia inteiro. Mas não sai mesmo! Tu acreditas que, noutro dia, estava eu a googlar a minha zona e Pimba. Lá estava ela, a velha. À janela!!!! Até no Google Maps??? Amiga. o que eu fui fazer!?Acabei por cavar a minha própria sepultura…

A espantosa profecia do fim do mundo…ou nem por isso

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Começou pela cobra que ficou logo ali amaldiçoada e condenada a andar de rastos e a comer terra até ao fim dos seus dias. A seguir foi a Eva e todas as mulheres. De castigo, Deus multiplicou todo os seus trabalhos, condenou-as à dor do trabalho de parto e a serem dominadas pelos homens para sempre. Depois, chegou o momento de saber o castigo do Adão… Senta-te, porque nem vais acreditar.

O segredo está… na moda!

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Com tanto gene que para aí anda, foi-nos logo calhar este tal de A25- BIS-DR2 na rifa!?
A culpa é do Todo Poderoso lá de cima… No dia em que resolveu criar os códigos genéticos, olhou para para nós, portugueses, e deve ter pensado:” Hummm… Vamos lá acrescentar ao DNA destes fulanos uma pitada de saudade, tragédia e fatalismo… Com tanto mar e tanto sol, dão conta do recado enquanto o diabo esfrega o olho! Não posso descarregar esta cruz tão pesada nos desgraçados dos esquimós , senão é que não põem mesmo os pés fora dos Igloos. Nem mil Huskys juntos, atrelados a um trenó, aguentavam com tamanha carga no lombo!!!

Equívocos de um Povo enfadado

Equívocos, equívocos e mais equívocos! Cada vez que alguém tenta explicar quem somos como Povo, resulta sempre num descomunal equivoco. É que nós não somos lineares, não somos previsíveis, nem tão pouco possíveis de analisar ao microscópio. Pois  não queres saber, que foi precisamente, o que fizeram! Já há uns anos, decidiram analisar o código genético dos portugueses, o resultado foi tão surpreendente, que nunca mais falaram no assunto. Do estudo, saíram duas conclusões. Primeiro, que possuímos o gene mais antigo da Humanidade e segundo,  que possuímos outro gene, o A25-BIS-DR2 que mais ninguém tem no Mundo inteiro! A surpresa foi tão grande, que as reacções não se fizeram esperar; das duas uma, ou o gene da Saudade tinha acabado de ser detectado num laboratório, esse sentimento, que se tornou na bandeira da tragédia e do fatalismo que para os outros, é ser português, ou, o melhor é esquecer o assunto, porque cada vez que se fala em genética, descamba, para Pátria, Pátria-fronteiras, fronteiras-Soberania e os portugueses têm ser mantidos de bola baixa,  para continuarem a ser a proveta de ensaio dos psicopatas que nos desgovernam. De uma forma ou de outra tenho-te a informar que não chegaram lá nem perto. O gene A25-BIS-DR2 é o gene do pragmatismo! Qualidade única que nos define como Povo. Não, não somos muito bons no dia-a-dia. Cumprir tarefas, contabilidade organizada, fazer continhas, arrumar dossiers por ordem alfabética, planeamentos, estatísticas… Enfim, rotina, não é decididamente o nosso forte. No que nós somos mesmo bons, é no fio da navalha. Todo o tipo de catástrofes, terramotos seguidos de tsunamis, desabamento de terras, incêndios, afogamentos, guerras, então se tiver uma mulher e uma criança envolvida, somos o equivalente ao Super-Homem, mas com o carisma do Thor. É este pragmatismo, transversal a todos os portugueses de Norte a Sul do país, que nos une, nos faz sermos reconhecidos em qualquer parte do mundo e amados por todos os povos que um dia já foram parte de Portugal. É avasssalador e funciona como um tónico nacional, todas as vezes que se revela. Mas como se detecta este pragmatismo, no dia-a-dia deprimente dos portugueses? Sim , nem todos os dias, temos um mundo por conquistar ou alguém para salvar… Quer dizer, termos, até temos, nestas coisas nunca há mãos a medir, o problema é que estamos bem condicionadinhos e sem autorização para grandes feitos, que é para não   dar azo à imaginação… Se o pragmatismo dos portugueses, em situações de vida ou de morte, é grandioso, inspirador e de eficácia sem igual, na rotina do dia-a dia, também é eficaz, mas de uma mediocridade e pequenez deprimente. Só para teres uma ideia, uma infeliz viúva, decidiu arranjar um marido, para a ajudar nos trabalhos do campo e para lhe fazer companhia. Por intermédio de um amigo e depois de alguns telefonemas, sem Internet pelo meio, sem fotografias, nem garantias, um dia ele chegou de armas e bagagens. Os olhos da pobre mulher brilharam de esperança, finalmente uma ajuda! No campo, há trabalhos tão pesados que é impossível fazê-los sozinha, a juntar com o isolamento, a maior parte dos casamentos […]

Sunset, trocado por miúdos…

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Tenho um problema em mãos para resolver… As moedas pretas. Acumulei tantas que, para me desfazer delas, tinha de morrer e reencarnar numa daquelas tartarugas gigantes das Ilhas Galápagos que vivem duzentos anos. Odeio as moedinhas de um e dois cêntimos, tanto que já dou por mim a falar com elas: “Ah! Ah! É desta que vais pelo cano do aspirador acima…Tzzzzzz… Já foste!» O Pedro não consegue compreender esta minha embirração pelas criaturas, aliás coleciona-as bem colecionadinhas numa caixa de madeira, em cima do móvel da entrada: “Filipa é dinheiro, não sei qual é o teu problema com as moedas pretas?” Qual é o meu problema!? “Olha… Enorme, do tamanho de um bisonte!”