Aluga-se T2, sem senhorio incluído!

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Chegam dois carros de bombeiros e uma carrinha funerária: “Aí… O que é aquilo? Agora os sapadores trazem cangalheiros atrás?” Não. Era o senhor Leopoldino que colecionava carripanas de transporte de mortos! Imagina. E segundo a minha vizinha não tinha nem uma, nem duas mas tantas carripanas que podia abrir uma agência: “O homem adora aquilo. Não entendo. Se calhar pensa que se levar a fortuna a enterrar nasce assim uma floresta de árvores das patacas. Sim, você ainda não o conhece, mas ele é um sovina desgraçado. Não gasta aqui um único tostão. Rebenta um cano, não arranja. Cai um estore, não arranja. Sempre com o choradinho da falta de dinheiro. A mulher é um amor, mas o Senhor Leopoldino é um unhas-de-fome. Vai ver…”

Querido, mudei a casa porque não posso mudar de casa!

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Sem poder sair do carro por não ter travão, sem poder abrir o vidro porque está avariado, optei pelo o mal menor, abrir a porta para que ele me ouvisse e TRAZ, fiquei com a porta na mão. Mas não perdi a compostura, nem me desviei do meu objectivo e chamei o homem, que com um ar aterrorizado, foi-se aproximando contrariado do carro, da porta e de mim.
– O senhor, é que é o electricista? Ainda bem que o encontro, eu estou com um pequeno problema…

Emprestas-me a Rainha de Copas?

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Nem queria acreditar. Esfreguei os olhos e fui ter com a nossa Tia Piedade. Deitada na cama, de olhar meio perdido, vira-se para mim e tem o seguinte desabafo: “Ai querida, ainda bem que veio. Não preguei olho toda a noite por causa do King Kong. Mudou-se do topo do arranha-ceu para a saída deste ar condicionado. Está ali, ali. Veja! Passa a vida a olhar para mim de olhos arregalados e não me deixa sossegar. Aquele macaco é mesmo horroroso, do piorio… A menina nem queira saber.”

Ver para crer!

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Se te disser que aqui, conheci pessoalmente a Rainha de Copas não contas a ninguém?
É verdade, conheci-a poucos dias depois de cá chegar. É menos assustadora ao vivo, mas tão excêntrica como a da história.
Do alto da sua altivez, perguntou-me com a velocidade de uma rajada de metralhadora:
– Olha lá como te chamas? Porque vieste viver para aqui? Quantos filhos tens? Quanto tempo vais ficar? Para sempre? A fazer o quê? Porquê? Para quê?
E eu, como a própria da Alice, não pude se não ir respondendo, enquanto pelo canto do olho, no meio de um jardim cheio de esconderijos e maravilhas, tentava encontrar o buraco que me trouxera para ali. Acabei por fugir pelo portão, com a desculpa que tinha de comprar uma vassoura.

A cidade fantasma e os grilos falantes

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Na outra encarnação fui caixeiro-viajante, saltimbanco ou estou simplesmente traumatizadas com a única excursão que fiz na vida. Ainda hoje estou para saber como me conseguiram arrastar para uma carripada a cair de podre, conduzida por motorista que mal sabia conduzir e um grilo falante meio pigmeu e completamente louco. Sério, o homem tinha parafusos a menos e histeria a mais. Em vez de se resumir a fazer de cicerone vestiu a pele de vededa. De microfone em punho, desantou a berrar: “Vamos lá péssoauuuu. Auto astrau. Quero todo o mundo a cantarrrr !!!” Cantar!?

A Silly Season na aldeia e o manjar dos deuses

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Com a tarde arruinada e o mundo a derreter lá fora, resta-te um mergulho no rio? Esquece! No aberrante mês de Agosto, não tens como ir a banhos, está tudo encavalitado em cima uns dos outros, deitados em cobertores com um garrafão de vinho ao lado, com dez criacinhas a berrar e a praguejar, uma avó com os pés para a cova abandonada ao sol e os pais a tratarem já de fazer o próximo rebento, mesmo ali, entre o presunto e o queijo.

Casa assombrada, malas à porta!

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Bom… Digamos que a primeira impressão da casa da tia-avó me deixou em estado de choque. A segunda? Nem queiras saber. Simplesmente aterradora. Quando meto a chave à porta vejo uma escadaria de mármore enfeitada com jarras pavorosas de flores artificiais, carcomidas pelo tempo. Mais à frente dou de caras com a sala. Um cubículo mínimo, com uma mesa redonda coberta por um naperon do século passado, dois cadeirões de napa e mil e uma fotografias a preto de branco de gente morta. A tia-avó tinha pendurado toda uma árvore genológica na parede!

Compaixão ou sem paixão

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As galinhas têm sentimentos. Sentem empatia e antipatia, odeiam ser isoladas, têm comportamento de luto quando outra galinha morre e até podem sofrer de depressão. E sonham!!!! Sobre o quê? Ninguém sabe! Mas posso adivinhar; voar como uma águia, correr pelo o bosque em liberdade ou sonhar com uma bela fatia de melão fresca! As galinhas tal como nós, têm critérios que as fazem sentir atraídas por um galo ou não. E não são assim tão diferentes dos nossos.

Sem capota… Claro!

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Quando contei ao Pedro que ia comprar o MEU CARRO, contorceu-se todo. Segundo ele é do tamanho uma ervilha, tem uma bagageira onde só cabe a bolsa da maquilhagem e um motor com a potência de uma carroça. Deixei-o falar, falar, falar… Depois dele gastar o latim todo, falei eu: “Querido, não estas bem a ver… O carro é bestial! Cabe em todo o lado e dá perfeitamente para fazer a minha vida. Além do mais, gasta pouco e não anda muito. É seguro para os miúdos e ideal para quem está a começar. Quando formos de viagem, como é óooobvio… Levamos a tua carrinha girííííssima, suuuuper confortável, que anda imeeeenso e tem uma bagageira enoooorme onde cabe tudo, tudo, tudo!”

A nossa carrinha não é velha, é Vintage!

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A manete das mudanças é quase da altura de um pau de vassoura, o volante, do mesmo tamanho do do Titanic. Mas o mais espantoso de tudo são as chaves da carrinha, tem uma para cada porta, de todos os tamanhos e feitios, estás a ver o que significa não estás? Que é inviolável! Qualquer ladrão que queira assalta-la vai ter um ataque de nervos! E depois tem uma característica única, quando se tira a chave da ignição
continua a trabalhar como se estivesse mal assombrada, já imaginaste a adrenalina?